Uma viagem da cidade ao campo pelos caminhos da cultura popular brasileira

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A exposição “Novidades”, que a Galeria de Arte Naif Jacques Ardies inaugura em 18 de agosto, é um retrato singular da cultura brasileira em sua essência. Nas cerca de 50 obras inéditas, a mostra apresenta um país que por mais que tenha se tornado definitivamente urbano, ainda mantém uma riqueza incomparável de tradições e hábitos campestres – muitas vezes tão distantes dos nossos olhos no dia a dia.

A viagem por esse universo começa ainda na cidade, com as pinturas da artista paulistana Lucia Neto. O título de algumas das obras, aliás, não é de causar estranhamento a nenhum habitante de uma grande metrópole. “Helicóptero Decolando”, “Motoqueiros” e “No Shopping” fazem parte de um cenário bem familiar.

É justamente aí, no entanto, que reside uma das razões pelas quais Lucia se destaca: a capacidade e o modo singular de representar aquilo a que chamamos de realidade. A escolha das cores pela autora e a delicadeza do olhar evocam um mundo aparentemente ingênuo, mas cheio de reflexões sobre o significado da própria vida.

Um campo esquecido pela cidade

A imersão no cotidiano rural ocorre de vez nos traços de Raimundo Bida, nascido em Nazaré das Farinhas, na região do Recôncavo Baiano, a 220 quilômetros de Salvador. Guiado por sua intuição poética, Raimundo pinta cenas em geral esquecidas pelo homem das cidades. Entre os seus temas, aparecem fazendas de cacau, plantações de banana, árvores de caju e pássaros de plumagens exuberantes já em extinção, além de cenas típicas da zona rural realçadas por feixes de luz – obtidos pelo próprio modo de pintar.

O terceiro nome da exposição é Shila Joaquim. Nascida em Ribeirão Preto (SP), ela foi assessora de cultura no município de Embu das Artes, também em São Paulo, e atualmente mora em São Mateus, no Espírito Santo, a pouco mais de 200 quilômetros da capital, Vitória. Pintando com a propriedade de quem viveu boa parte de sua vida no interior, Shila costuma dedicar atenção especial aos rostos dos personagens, enaltecendo o perfil diferenciado que cada um desempenha no quadro.

A preferência da artista pelas linhas curvas no desenho logo se torna evidente, reforçada por cores intensas e cenários carregados de poesia. Seu trabalho se inspira em festas folclóricas.

Naif no Brasil: arte autêntica

Além dos quadros, a exposição contará, ainda, com esculturas da artista paraibana Ana Christina, feitas em papel maché. Em sua atuação ao longo da carreira, destacam-se a experiência como professora da Faculdade de Ciências e Letras de Maceió, em Alagoas, e de diversos cursos, como os de cerâmica e xilogravura. As esculturas, no fim das contas, são apenas uma das formas de expressão dessa artista em constante evolução.

Os estilos dos artistas da exposição são diferentes entre si, mas têm em comum a sutileza com que retratam os temas ligados à natureza e ao cotidiano do brasileiro. “Os autores transmitem em cada um de seus quadros o lirismo e o otimismo que caracterizam a arte Naif nacional”, diz Jacques Ardies, curador da mostra e há mais de 30 anos à frente da Galeria que leva o seu nome.

A Galeria Jacques Ardies está localizada na Vila Mariana, em São Paulo, e tem, permanentemente expostas obras de 80 artistas considerados exponenciais no movimento de arte naif do Brasil.

Serviço: Exposição Galeria Jacques Ardies

Data: 18 de agosto a 8 de setembro
Local: Galeria Jacques Ardies – Rua Morgado de Mateus, 579 – Vila Mariana
Site: www.ardies.com.br
Horário: de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h30; sábado, das 10h às 16h.

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